Terço da Misericórdia: como rezar passo a passo e as orações

O Terço da Misericórdia, ou Terço da Divina Misericórdia, é rezado com um terço comum. Depois das orações de abertura, reza-se “Eterno Pai, eu Vos ofereço…” nas contas grandes e “Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro” nas contas pequenas. No fim, repete-se três vezes “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal”.
É uma devoção católica ligada a Santa Faustina Kowalska, religiosa polonesa canonizada em 2000. O passo a passo abaixo segue o roteiro publicado pelo Vatican News, o portal de notícias da Santa Sé.
Como rezar o Terço da Misericórdia, passo a passo
O Vatican News diz que se pode usar um terço normal. A sequência é esta:
- Faça o sinal da cruz.
- Reze um Pai Nosso.
- Reze uma Ave-Maria.
- Reze o Creio (Símbolo dos Apóstolos).
- Em cada conta grande, no lugar do Pai Nosso, reze “Eterno Pai, eu Vos ofereço…” (texto completo abaixo).
- Em cada conta pequena, no lugar da Ave-Maria, reze “Pela Sua dolorosa Paixão…”.
- Terminadas as contas, reze três vezes “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal…”.
- Se quiser, acrescente a invocação “Ó Sangue e Água” e a oração conclusiva.
Num terço comum, isso dá cinco contas grandes, cada uma seguida de dez contas pequenas: cinco vezes “Eterno Pai” e cinquenta vezes “Pela Sua dolorosa Paixão”. A ordem das contas é a mesma do terço mariano, explicada no guia como rezar o terço. O que muda são as palavras.
Os textos do Pai Nosso, da Ave-Maria e do Creio estão nas páginas do Pai Nosso, do como rezar o terço e do Credo.
As orações do Terço da Misericórdia
Os textos abaixo seguem a redação do Vatican News.
Nas contas grandes
Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, a Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.
“Diletíssimo” quer dizer muito amado. A oração oferece a Deus Pai a pessoa inteira de Jesus, corpo, sangue, alma e divindade, pelos pecados de quem reza e do mundo.
Nas contas pequenas
Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.
É a frase mais repetida do terço. Ela pede misericórdia em nome do sofrimento de Jesus na Paixão, e sempre inclui “o mundo inteiro”, não só quem reza.
No final, três vezes
Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.
Invocação, se quiser
Ó Sangue e Água que brotastes do Coração de Jesus como Fonte de Misericórdia para nós, eu confio em Vós.
Oração conclusiva, se quiser
O Vatican News traz esta oração como opcional e indica que ela vem do Diário de Santa Faustina, número 949:
Ó Deus eterno, em quem a misericórdia é insondável e o tesouro da compaixão é inesgotável, olhai propício para nós e multiplicai em nós a Vossa misericórdia, para que não desesperemos nos momentos difíceis, nem esmoreçamos, mas nos submetamos com grande confiança à Vossa santa vontade, que é Amor e a própria Misericórdia.
Quem foi Santa Faustina
A biografia publicada pelo Vaticano na canonização conta a vida dela assim:
- Maria Faustina Kowalska nasceu em 25 de agosto de 1905, em Glogowiec, no centro da Polônia, numa família de camponeses.
- Aos 16 anos saiu de casa para trabalhar como doméstica. Em 1925 entrou na Congregação das Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia, onde foi cozinheira, jardineira e porteira em diversas casas.
- Em 1937 escreveu no Diário: “A glorificação da Tua misericórdia, ó Jesus, é a missão exclusiva da minha vida”.
- Morreu de tuberculose em Cracóvia, em 5 de outubro de 1938, aos 33 anos.
- João Paulo II a declarou beata em 18 de abril de 1993 e a canonizou em 30 de abril de 2000.
Na homilia da canonização, João Paulo II lembrou que foi entre a primeira e a segunda guerra mundial que Cristo confiou a Faustina a mensagem da misericórdia. Ele citou o Diário: “A humanidade não encontrará paz, enquanto não se voltar com confiança para a misericórdia divina”.
Os dois raios e o “Jesus, confio em Ti”
Na mesma homilia, o papa descreveu a imagem ligada a essa devoção: do coração de Cristo, Faustina vê partir dois fachos de luz. Segundo o Diário citado pelo papa, os dois raios representam o sangue e a água. João Paulo II liga essa imagem ao Evangelho de João, que conta que do lado de Cristo, atingido pela lança no Calvário, saiu sangue e água (João 19.34). A invocação “Ó Sangue e Água” do terço fala desse mesmo sangue e água.
João Paulo II destacou também a invocação “Jesus, confio em Ti”, que, disse ele, consolou muitas almas, e a chamou de “simples acto de abandono a Jesus”. A mesma confiança fecha a invocação do terço: “eu confio em Vós”.
O Domingo da Divina Misericórdia
Na homilia de 30 de abril de 2000, João Paulo II anunciou que o segundo domingo da Páscoa passaria a se chamar, na Igreja inteira, “Domingo da Divina Misericórdia”. É o domingo seguinte ao Domingo de Páscoa.
O papa partiu do Evangelho desse domingo, em que Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos no Cenáculo e lhes mostra as mãos e o lado (João 20). João Paulo II fala da chaga do coração como “fonte onde nasce a grande onda de misericórdia”. O terço, porém, pode ser rezado em qualquer dia.
A homilia também lembra que a misericórdia recebida pede misericórdia para com os outros, e cita Mateus 5.7:
7 Benditos são os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
Mateus 5.7.
Bíblia Livre (BLIVRE), © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, 2018, licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.
Os textos bíblicos por trás da devoção
A homilia da canonização começa com um salmo que a Igreja canta na semana da Páscoa e que resume o tema da misericórdia:
1 Agradecei ao SENHOR, porque ele é bom; pois sua bondade dura para sempre.
Salmo 118.1.
Bíblia Livre (BLIVRE), © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, 2018, licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.
Na homilia, o papa cita esse salmo com outra redação, destacando a permanência do amor de Deus. Aqui, o texto bíblico segue a Bíblia Livre.
O segundo texto é o do Calvário, que explica o “sangue e água” da invocação do terço:
34 Mas um dos soldados lhe furou com uma lança o lado, e logo saiu sangue e água.
João 19.34.
Bíblia Livre (BLIVRE), © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, 2018, licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.
João Paulo II lembra que, no Evangelho de João, o sangue evoca o sacrifício da cruz e a Eucaristia, e a água recorda o batismo e o dom do Espírito Santo.
Terço da Misericórdia e terço mariano: a diferença
Os dois usam o mesmo objeto, mas são orações diferentes.
- No roteiro do terço mariano, meditam-se os mistérios da vida de Jesus e de Maria e repete-se a Ave-Maria em cada conta pequena. A Salve Rainha aparece no encerramento desse roteiro.
- O Terço da Misericórdia não tem mistérios. Repete a mesma oração em todas as dezenas e se dirige a Deus Pai, pedindo misericórdia pela Paixão de Jesus. Termina com o “Deus Santo” repetido três vezes.
Quem já reza o terço mariano aprende o da Misericórdia rápido, porque a contagem das contas é igual.
Perguntas frequentes
Preciso de um terço especial?
Não. O Vatican News diz que se pode usar um terço normal. Também dá para contar nos dedos.
O Terço da Misericórdia é católico?
Sim. É uma devoção católica, ligada a Santa Faustina e ao Domingo da Divina Misericórdia instituído por João Paulo II.
Quando é o Domingo da Divina Misericórdia?
É o segundo domingo da Páscoa, uma semana depois do Domingo de Páscoa.
O que significa “em expiação dos nossos pecados”?
Expiação é reparação. A frase oferece o sacrifício de Jesus a Deus Pai pelos pecados de quem reza e do mundo inteiro.
O terço pode ser rezado por alguém doente?
Pode ser rezado por qualquer intenção, inclusive por quem está doente. A oração é devoção e não substitui o médico nem o tratamento.
Outras devoções estão na categoria terço e devoções.
Fontes: Vatican News, Terço da Divina Misericórdia; João Paulo II, homilia na canonização de Maria Faustina Kowalska, 30 de abril de 2000; Santa Sé, Biografia de Maria Faustina Kowalska; Bíblia Livre, Mateus 5; Bíblia Livre, Salmo 118; Bíblia Livre, João 19; Bíblia Livre, João 20; Bíblia Livre, licença e créditos no eBible.org



