Credo: oração Creio em Deus Pai completa e o Credo Niceno

O Credo é a oração que resume a fé cristã. A forma rezada no terço e nos cultos de várias igrejas é o “Creio em Deus Pai”, chamado de Símbolo dos Apóstolos. Existe também um Credo mais longo, o Niceno-Constantinopolitano. Abaixo está o texto completo do Creio em Deus Pai, depois de onde ele vem, o Credo Niceno em resumo e as diferenças de palavras entre a versão católica e a de uma igreja evangélica.
Creio em Deus Pai: oração completa
Esta é a forma católica publicada pela Rádio Aparecida, no portal A12, do Santuário Nacional de Aparecida, dividida em linhas para facilitar a leitura:
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, Seu único Filho Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.
É a mesma oração que abre o terço, como mostra o guia de como rezar o terço.
O que é um Credo
“Credo” é uma palavra latina que quer dizer “eu creio”. O pastor Martin Dreher, historiador da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), explicou numa entrevista ao Portal Luterano que, na Igreja antiga, quem ia ser batizado era perguntado se cria em Deus Pai, em Jesus Cristo e no Espírito Santo, e respondia a cada pergunta: “credo”, creio.
O Catecismo da Igreja Católica conta a mesma origem. No parágrafo 189, diz que a primeira profissão de fé é feita no Batismo e que, por isso, o Credo se organiza em torno do Pai, do Filho e do Espírito Santo. No parágrafo 188, explica o outro nome da oração, “símbolo”: em grego, “symbolon” era a metade de um objeto partido, que se juntava à outra metade para provar a identidade de quem o trazia. O símbolo da fé é o sinal que identifica e une os que creem.
O Credo tem três partes, uma para cada pessoa da Trindade. Segundo o parágrafo 191 do Catecismo, desde Santo Ambrósio se costuma contar doze artigos, lembrando os doze apóstolos.
A fé resumida já no Novo Testamento
Antes dos credos mais longos, os cristãos já resumiam a fé em poucas frases. O Catecismo, no parágrafo 186, cita como exemplo esta passagem de São Paulo:
3 Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi, que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4 E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; 5 E que foi visto por Cefas, depois pelos doze.
1 Coríntios 15.3-5.
Bíblia Livre (BLIVRE), © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, 2018, licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.
As frases “morreu”, “foi sepultado” e “ressuscitou ao terceiro dia” estão no Creio em Deus Pai quase com as mesmas palavras.
De onde vem o Símbolo dos Apóstolos
O nome não quer dizer que os doze apóstolos escreveram o texto juntos. O Catecismo, no parágrafo 194, explica que ele se chama assim porque é considerado “o resumo fiel da fé dos Apóstolos”, e que é “o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma”.
A página da IECLB sobre o Credo Apostólico diz que não se sabe a data exata em que ele surgiu, que as formulações básicas remontam ao século II e que o texto como o conhecemos hoje é do século VIII. Na entrevista ao Portal Luterano, o pastor Dreher situa a formulação por volta do ano 150, em Roma.
O Credo Niceno-Constantinopolitano, em resumo
O segundo grande Credo é mais longo e mais detalhado. O Catecismo, no parágrafo 195, explica que ele vem dos dois primeiros concílios ecumênicos, o de Niceia, em 325, e o de Constantinopla, em 381, e que continua a ser comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente.
Segundo o pastor Dreher, o Concílio de Niceia foi convocado para responder a uma pergunta que dividia os cristãos: Jesus é Deus, como o Pai, ou uma criatura feita por Deus antes de todos os tempos? A resposta está no coração do texto. Na tradução publicada pelo Vaticano no Catecismo, o trecho sobre Jesus diz:
Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
“Consubstancial ao Pai” corresponde à expressão grega que Dreher explica na entrevista, “homoousion to patri”: de uma só substância com o Pai. Em Constantinopla, em 381, o texto recebeu acréscimos sobre o Espírito Santo, e daí vem o nome Niceno-Constantinopolitano.
O texto completo desse Credo está no Catecismo, na página dos Símbolos da fé, ao lado do Símbolo dos Apóstolos, em duas colunas que permitem comparar os dois.
“Procede do Pai e do Filho”
Há uma diferença conhecida entre as igrejas na parte do Espírito Santo. A tradição latina diz que o Espírito “procede do Pai e do Filho”, em latim “Filioque”. O Catecismo, no parágrafo 247, reconhece que essa expressão não estava no texto de 381, foi admitida aos poucos na liturgia latina entre os séculos VIII e XI e ainda hoje é um ponto de diferença com as igrejas ortodoxas.
A IECLB publica duas versões do Credo Niceno-Constantinopolitano: a do Livro de Concórdia, que diz “procede do Pai e do Filho”, e a do Conselho Mundial de Igrejas, que diz apenas “procedente do Pai”.
Quais igrejas usam cada Credo
Na Igreja Católica
Os dois Credos têm lugar especial. O Catecismo, no parágrafo 193, diz que entre todos os símbolos da fé estes dois se destacam, e no parágrafo 196 explica que a sua própria exposição segue o Símbolo dos Apóstolos, com referências constantes ao Niceno. No terço, reza-se o Creio em Deus Pai, como mostra o passo a passo da Rádio Aparecida.
Nas igrejas luteranas
O pastor Dreher afirma que o Credo Apostólico é “normalmente confessado nos cultos da IECLB e de outras denominações”. Ele acrescenta que a IECLB tem como base, além das Escrituras, os Credos da Igreja Antiga: o Niceno-Constantinopolitano, o Apostólico e o Atanasiano.
As diferenças de palavras
A versão do Credo Apostólico em uso na IECLB, publicada no Portal Luterano, é esta:
Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu Filho unigênito, nosso Senhor, o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao mundo dos mortos, ressuscitou no terceiro dia, subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso, de onde virá para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa Igreja cristã, a comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição do corpo e na vida eterna. Amém.
Comparando com a versão católica, três diferenças se destacam.
“Igreja Católica” e “Igreja cristã”
A versão católica diz “na Santa Igreja Católica”; a luterana, “na santa Igreja cristã”. O Catecismo, no parágrafo 830, explica que a palavra “católico” significa “universal”. As duas formas falam da Igreja de todos os que creem em Cristo, cada uma com a palavra que a sua tradição consagrou.
“Mansão dos mortos” e “mundo dos mortos”
As duas versões dizem que Jesus, depois de morrer, desceu ao lugar dos mortos. O Catecismo, no parágrafo 633, explica que a Escritura chama esse lugar de “infernos”, Sheol ou Hades, a morada de todos os mortos que esperavam o Redentor. É a mesma palavra hebraica do Xeol, o lugar dos mortos do Salmo 139.
“Ressurreição da carne” e “ressurreição do corpo”
O Catecismo, no parágrafo 990, explica que “carne” designa o ser humano na sua fraqueza e mortalidade, e que a frase quer dizer que também os corpos mortais voltarão à vida. A versão luterana diz “ressurreição do corpo”, e as duas falam da ressurreição da pessoa inteira.
Há ainda diferenças menores, como “seu único Filho” e “seu Filho unigênito”, ou “ao terceiro dia” e “no terceiro dia”. Nenhuma muda o conteúdo da oração.
Como rezar o Credo
Na oração pessoal, o Credo pode ser dito a qualquer hora, de manhã, à noite ou antes de outras orações.
- Reze devagar, frase por frase, e repare nas três partes: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
- Quando quiser, pare numa frase e pense no que ela diz, como “ressuscitou ao terceiro dia”.
- Reze o Credo ao começar o terço, como no guia de como rezar o terço, ou junto com o Pai Nosso.
O Catecismo, no parágrafo 197, diz que rezar o Credo com fé é entrar em comunhão com Deus e com toda a Igreja. Outras orações estão na categoria Orações.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre o Creio em Deus Pai e o Credo Niceno?
O Creio em Deus Pai é o Símbolo dos Apóstolos, mais curto, antigo credo batismal da Igreja de Roma. O Credo Niceno-Constantinopolitano vem dos concílios de Niceia (325) e Constantinopla (381) e explica com mais detalhes quem é Jesus e quem é o Espírito Santo.
Os apóstolos escreveram o Credo?
Não da forma como ele é rezado hoje. O nome vem de ele ser considerado o resumo fiel da fé dos apóstolos. Segundo a IECLB, as formulações básicas são do século II e o texto atual é do século VIII.
Evangélicos rezam o Credo?
Segundo o pastor Martin Dreher, o Credo Apostólico é confessado normalmente nos cultos da IECLB e de outras denominações, com algumas diferenças de palavras, como “santa Igreja cristã” no lugar de “Santa Igreja Católica”.
O que significa “desceu à mansão dos mortos”?
Que Jesus morreu de verdade e foi ao lugar onde estavam os mortos. O Catecismo explica que esse lugar é chamado na Escritura de Sheol ou Hades, a morada dos mortos que esperavam o Redentor.
Por que se diz “ressurreição da carne”?
Porque, segundo o Catecismo, “carne” é o ser humano na sua condição frágil e mortal. A frase afirma que o corpo também será ressuscitado.
Qual Credo se reza no terço?
O Creio em Deus Pai, o Símbolo dos Apóstolos. É rezado no começo, logo depois do sinal da cruz.
Fontes: A12, Aprenda a rezar o Santo Terço e contemplar seus mistérios (Rádio Aparecida); Catecismo da Igreja Católica, 185-197, vatican.va; Catecismo da Igreja Católica, Credo, vatican.va; Catecismo da Igreja Católica, 198-421, vatican.va; Catecismo da Igreja Católica, 422-682, vatican.va; Catecismo da Igreja Católica, 683-1065, vatican.va; Portal Luterano, Credo Niceno completa 1700 anos, entrevista com o P. Dr. Martin Dreher; Portal Luterano, Credo Apostólico; Portal Luterano, Credo Niceno-Constantinopolitano; Bíblia Livre, 1 Coríntios 15, eBible.org; Bíblia Livre, licença e créditos, eBible.org; Bíblia Livre, 1 Coríntios, edição oficial em PDF, eBible.org



